segunda-feira, 11 de abril de 2011

Transição

                             Pessoas passam o tempo todo por nossas vidas. Algumas deixam marcas eternamente sensíveis, outras deixam buracos sensivelmente eternos. Meu coração, aqui presente, é composto de vazios de cada pessoa, que um dia eu amei, me deixou.  Em mim, sobreviveu a parte forte que eu nunca achei que existisse. Nossa força é descoberta diante de problemas, que cogitados seria o fim, mas quando concretos, por mais que seja a dor que eles nos trazem; ficamos de pé. Aqui estou eu. Criei uma resistência, talvez efêmera, pro que se chama de afeto.

                                    Há, na verdade, uma transferência de cor de cada pessoa que entra e sai em minha vida, como se cada uma trouxesse consigo uma cor diferente. Já cansei de assistir elas me deixando. Tenho em mente o rosto de cada uma acenando um adeus e depois o meu rosto, cada vez mais cansado, imerso em lágrimas. Cada partida uma dor e cada dor uma cicatriz.
                                    O seu vazio tem doído bastante agora e foi ele que me chamou a atenção pra algo importante em mim: meu coração não suporta mais buracos. Antes mesmo de cicatrizar perdas recentes, você me apresentou a paz, a calma, o cheiro suave e o abraço diferente. O recheio de entusiasmo que me faltava no final do dia.  
                                    Em curto intervalo de tempo você cicatrizou todas as feridas – tão enormes – que apodreciam meu âmago. E eu nunca escondi o quanto você me fazia sentir diferente diante do meu mundinho tão abstrato. 

Uma gangorra de melancolia

                                  Não consigo ouvir nada além do som do balanço oxidado enferrujando meus ouvidos. Nenhum carro ou som que me tocasse agora poderia ofuscar esse momento: eu versos o mini parque. Se ocorre uma pausa, posso ouvir o som dos apressados. Não os julgo por estarem correndo, ao menos eles têm uma direção e um oquê buscar. Ao contrário de mim, que apenas ouço balanços.
                                  Minha calma desta criança alegre. Ouvimos o mesmo som, mas não sentimos a mesma dor. Porque tudo que sai de mim é excessivamente diferente. Duvido que em meio a essa paisagem haja alguém que interprete o som como um subterfúgio. Não consigo fugir do que sou. 

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Deixe-me tonta com o seu cheiro.

Deixe-me tonta com seu cheiro e me enlouqueça com o seu olhar. Carregado de incertezas, me deixe doida com suas pupilas dilatadas, fazendo-me querer-te perto todos os segundos do dia. Deixe-me tonta com o seu cheiro e depois se distancie de mim, para que a sinestesia me faça sentir o gosto do seu cerne.
Deixe-me tonta com o seu cheiro, eu apenas poderia gastar todo o meu tempo com você, porque ao seu lado tenho vontade de esquecer o resto do mundo. Você é responsável pela minha entropia e sempre que você sai, eu quero você perto.
Deixe-me tonta com o seu cheiro e ponha sua cabeça em meu colo. Eu adoro o jeito que você arruma o seu cabelo e a forma que você sorri olhando pra baixo. Seus olhares, desconsertados, tão fixos em tentar prestar atenção em mim. Queria poder passar dias reparando cada detalhe do seus traços, tão completos.
Deixe-me tonta com o seu cheiro, venha me ver nos domingos chatos e depois sorria quando eu disser que gosto de você. O sorriso que eu gosto de receber, aquele único que me faz parar de respirar por uns segundos. Acredite em mim.
Deixe-me tonta com seu cheiro, mas não me deixe.