Pessoas passam o tempo todo por nossas vidas. Algumas deixam marcas eternamente sensíveis, outras deixam buracos sensivelmente eternos. Meu coração, aqui presente, é composto de vazios de cada pessoa, que um dia eu amei, me deixou. Em mim, sobreviveu a parte forte que eu nunca achei que existisse. Nossa força é descoberta diante de problemas, que cogitados seria o fim, mas quando concretos, por mais que seja a dor que eles nos trazem; ficamos de pé. Aqui estou eu. Criei uma resistência, talvez efêmera, pro que se chama de afeto.
Há, na verdade, uma transferência de cor de cada pessoa que entra e sai em minha vida, como se cada uma trouxesse consigo uma cor diferente. Já cansei de assistir elas me deixando. Tenho em mente o rosto de cada uma acenando um adeus e depois o meu rosto, cada vez mais cansado, imerso em lágrimas. Cada partida uma dor e cada dor uma cicatriz.
O seu vazio tem doído bastante agora e foi ele que me chamou a atenção pra algo importante em mim: meu coração não suporta mais buracos. Antes mesmo de cicatrizar perdas recentes, você me apresentou a paz, a calma, o cheiro suave e o abraço diferente. O recheio de entusiasmo que me faltava no final do dia.
Em curto intervalo de tempo você cicatrizou todas as feridas – tão enormes – que apodreciam meu âmago. E eu nunca escondi o quanto você me fazia sentir diferente diante do meu mundinho tão abstrato.