domingo, 11 de julho de 2010

Hipertônico

(...) Era preciso uma morte, para então ouvir sua voz. Mas se ela existir, não haverá som. Nenhuma cor. Nenhuma palavra. Só dois fins. Finalidade do desespero quando não é mais necessário misturado com um grande pacote de sonhos.

É pra mim?
-Você sabe que sim.
Mas gosto de ouvir você dizer que é pra mim.
Você me ama?
- Não era pra amar?
Claro que sim,mas quero ouvir agora se você me ama.
- Eu te amo,muito
Então não me deixa
- Eu não vou te deixar



E a história redigida como um conto começou a se tornar real quando não havia mais pra quem ligar. Toca telefone, falei alto. Costumava falar sozinha desde que você partiu. O que era tão importante que não poderia esperar mais um dia? Uma vida. Na hora não reconheci,mas se eu pudesse voltar ao tempo, cara, eu não posso. Já era.  
Peguei suas manias das quais eu odiava desde que você se foi,tornei-me eufórica e sentia a saudade sem tamanho que você dizia sentir,  será possível que todos os sentimentos que você sentia por mim foram transferidos com a mesma intensidade depois que você partiu?  Eu achava sentir a sua intensidade, a sua dor, a sua saudade o seu amor, porém só agora eu vejo que tudo era numa quantidade maior e essa  é a resposta pra todas as minhas perguntas quando eu perdia a paciência vendo você chorar demais por nada. Perdi a conta das vezes em que mandei você calar a boca, fria e grossa. E , especialmente hoje eu to sentindo o tamanho do amor que você dizia sentir mesmo diante a dor. Porque você não grita? Porque não me pede pra ficar?  Porque?  Eu vou sair se você não se manifestar,faça alguma coisa. 
Seria cômico se não fosse trágico. Eu sair? Pra onde? Talvez se eu corresse, mas pra que lado? Não há direção sem você.  Eu queria estar do seu lado todos os dias,mas se pudesse escolher, escolheria o dia onze do mês de julho. Eu te amo, fim.


Magalhães, Monique. “Sentimentos Induzidos e Perpétuos”.

sábado, 10 de julho de 2010

Sem êxito

De portas fechadas, havia um silêncio que a consumia completamente por dentro, deixando-a totalmente ilesa diante de todas as decisões que naquele momento a cercavam. Mas aquele silêncio não era maior e nem poderia ser comparado ao silêncio que a separava dele,esse sim dissimulava diretamente todas as suas determinações.
Às vezes ficava na sacada, esperando que talvez ele passasse e assim acenasse como quem diz um oi habitual. Nada acontecia. Por vezes em que o telefone tocara teve a esperança que fosse ele, pra pegar as roupas velhas em casa ou pra lembrá-la de tomar os remédios diários. Muitas vezes ele ligou apenas por preocupação ou obrigação. Mas a dois meses atrás, sábado, manhã quente, quando  ligou, ele aparentava mais frio e restringiu a ligação em apenas: tome os remédios. Nem se quer perguntou se ela estava bem, se estava feliz. Oito semanas depois e não mais ele retornaria a ligação.  Achava estranho, mas não resolveu procurar, ser um peso, afinal depois de terminados que obrigação tinha ele de ficar lembrando-a de tomar remédios, a doença era sua e ele nada tinha com isso.  Com o telefone na mão, resolveu ligar, mas uma esfinge a rodeada, que desculpa usaria? “Olha, venha buscar suas roupas” Isso poderia soar deturpado. Não, melhor não fazer nada. Silêncio.
Perdeu a conta das vezes em que sentava no sofá e ficava observando a televisão desligada, recordava do quanto ele era apegado na televisão e do quanto isso a incomodava todos os dias. Por alguns segundos ela queria que ele estivesse ali vendo televisão enquanto ela assistia a beleza dele. Brigas e discussões nunca tiveram fim entre os dois, todo dia palavras distorcidas criavam conflito entre eles. E isso, não era falta de amor, eles se amavam tanto mas tanto que não havia espaço pra guardar tanto amor depois que ele foi embora.
Brigavam por qualquer motivo, mas a culpa era sempre dele que expressava demais, ficava perto demais e não dava espaço pra ela fazer outras coisas que não o envolvesse. Nos últimos dias estava se tornando chato, falando repentinas vezes ao dia o quanto a amava, o quanto queria estar perto dela pra sempre. No inicio ela gostava, mas depois parecia que não mais ouvia o que ele dizia e só via a face dele mexendo repetindo as mesmas palavras. Na sua mente só passava uma coisa: “Já sei que você ama, da pra parar?”. Com o tempo ele foi percebendo o quanto estava deixando o relacionamento dos dois chato e cansativo. Um dia  ela acordou com o som do trem que passava a duas quadras de sua casa, era domingo e o engraçado era que aquele som nunca tinha lhe incomodado antes, mas especificamente naquele domingo quebrou seu sono pela metade. Olhou pro lado e ele não estava na cama. Desde então não mais o viu, apenas ouvia sua voz todos os dias pela manhã lembro-a do remédio. Ela, sempre muito orgulhosa, nunca perguntou porque ele partiu o porque deixou a maioria de suas roupas pra trás. Queria aparentar-se forte diante da situação, claro que as brigas a afetava também, mas achou um abuso ele partir sem falar nada. A verdade é que achou ousado da parte dele porque ela, apesar de todas as brigas, nunca pensou em deixar tudo pra trás. E a única palavra que o definia pra ela era egoísta.  Achava que ele era egoísta por desistir do amor dos dois.
De vez enquanto, acordava pelo meio da noite assustada com qualquer barulho na rua, achava que ele tinha voltado. Foram passando-se meses e nada dele ligar. Num sábado a tarde, decidiu quebrar o gelo, ligou pra ele. O celular estava desligado, achou estranho e continuou  ligando repentina vezes, sem êxito desistiu.  O que ela não sabia era que a ligação foi feita tarde demais e que o seu orgulho impediu que ela ouvisse a voz dele pela última vez. A verdade é que ele estava carinhoso porque sabia o que o destino estava reservando pra ele, não tinha muito tempo de vida. Não queria que ela parasse de apreciar a sua beleza quando ele ficasse feio e de cama. Saiu de casa, ela nunca o procurou. Agora ela entendia as palavras tão entediantes dele. Sabia que estava partindo. Enquanto a mente dela cogitava mil possibilidades o seu coração só batia no ritmo de uma palavra: continue. Haveria mais silêncio dali em diante.


Magalhães, Monique. “Sentimentos Induzidos e Perpétuos”.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

"O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraiso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói."


-Cazuza


07-07-2010 . 20 anos sem Cazuza