Há muito tempo que não invado seu tempo, não roubo mais seus risos, há muito tempo a correnteza já me levou para fora do seu rio.
Há muitas horas, mais do que as que enchem um, dois ou mais meses, estou observando uma pintura. Quem é o pintor? Ninguém. A tinta acabou, o pincel quebrou e ele, o artista, já terminou seu expediente. Não há mais nada para mudar, o que foi construído permanecerá eternamente e o que apagamos não voltará. Se não era pra ser amor, seria amizade. Se não fosse amizade, seriamos irmãos. Inevitavelmente, você estaria aqui... Mesmo que para ir embora depois.
Há.
Não há mais.
Simples, assim como mudei de parágrafo você muda seus olhos. Enche-me de promessas, imunda minha vida de amor, me faz ficar louca, me faz ficar assim e eu assim, tonta, tonta, tonta e boba pra você. Doce? Ilusão. Enche-me de solidão, imunda minha vida de lágrimas, me faz triste, me faz ficar longe e tonta, tonta, tonta e saudades pra você.
Já tentei outros corpos, outras vozes, cheguei a pensar que estava recuperada. Doce ilusão. Grita meu nome, conte segundos e sou só sua. Grita que me ama, eu digo que sempre te amei e amarei. Grita pra eu sair... Tem que ser assim?
Você e seu furacão interno, suas dúvidas, sua bipolaridade, suas mentiras, suas verdades, sua tempestade, suas vontades e eu pra você
Há
Sempre haverá.
Simples como mudo de parágrafo, confirmo o que sinto por você. Doce ilusão...
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