terça-feira, 28 de junho de 2016

Insanidade



Esse é o ponto exato da proximidade que arrisco
desta incógnita que me habita

Sinto vontade de berrar o quanto sinto
por não brigar com o tempo
por aceitar que fosse assim

A vida gosta de surpreender
à maneira que nos mostra como somos ingênuos
quando se trata de lidar com pessoas

Se eu pudesse descrever que gosto tem
a incerteza que habita o toque
que descreve o desejo
que corroe o presente

Diria que é gosto de felicidade
e não é porque sou cinestésica
é porque sou paranoica
Eu sinto o gosto dos sentimentos
e alguns são doces

Just like you.


sábado, 2 de abril de 2016

Calvário








não consigo acalmar meus pensamentos
nesses tempos de intensa insônia
paro e deixo-os passarem
levemente
lentamente
sem acessar profundamente nenhum dos vídeos
que acometem minha mente
que adoentam minha calma
e que provocam minha angústia

vale viver assim ?
vale sentir a pulsação do meu corpo,
o limite das minhas células,
e a loucura dos meus pensamentos ?

meus questionamentos
eu respiro esse outro mundo
que vive preso dentro de mim
que é indizível
indescritível
inacessível
meu corpo e minha mente
comunicam-se em uma linguagem própria
que nem eu sou capaz de entender

terça-feira, 15 de março de 2016

Fadário



Não sei explicar meu verdadeiro afeto 
nesse momento tão perturbante que vive dentro da minha mente
Minhas ideologias, conhecimento, opinião..
Ao passo que misturados, explanados para mim
Aguardando de mim uma simples resposta
Sobre o que está se passando dentro do meu eu

É amanhã
O primeiro contato prático ativo
Estarei diante do me conhecimento
Das minhas não-convicções, crenças, ideologias..
Minhas muitas maneiras de ver o outro
De tentar acalmar mentes de clamam
...por ajuda

Eu vejo meu semelhante diante de mim
Esperando uma resposta, 
Com um fio de esperança.
Nesse turbilhão de sentimentos
eu estarei de mediastino aberto
E ajudarei os outros com a minha mais profunda responsabilidade



Amanhã será dia 16/03/2016 - Primeiro dia no ambulatório de Psiquiatria.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Jorge Vercillo







É incrível,
Nada desvia o destino
Hoje tudo faz sentido,
E ainda há tanto a aprender
E a vida tão generosa comigo,
Veio de amigo a amigo
Me apresentar a você
[...]
Não se prenda
A sentimentos antigos
Tudo que se foi vivido
Me preparou pra você
Não se ofenda
Com meus amores de antes
Todos tornaram-se pontes
Pra que eu chegasse a você

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Presságio


Fernando Pessoa

 Quem quer dizer o que sente
 Não sabe o que há de dizer.
 Fala: parece que mente...
 Cala: parece esquecer...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

IDEALIZAÇÃO DA HUMANIDADE FUTURA


Augusto dos Anjos
Rugia nos meus centros cerebrais
A multidão dos séculos futuros
— Homens que a herança de ímpetos impuros
Tornara etnicamente irracionais! –

Não sei que livro, em letras garrafais,
Meus olhos liam! No húmus dos monturos,
Realizavam-se os partos mais obscuros,
Dentre as genealogias animais!

Como quem esmigalha protozoários
Meti todos os dedos mercenários
Na consciência daquela multidão...

E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação!

domingo, 17 de janeiro de 2016

" A dúvida é o preço da pureza." Sartre

E é inútil ter certeza
Humberto Gessinger

sábado, 16 de janeiro de 2016

"Entre o pensamento e a poesia há um parentesco porque ambos usam o serviço da linguagem e progridem com ela. Contudo, entre os dois persiste ao mesmo tempo um abismo profundo, pois moram em cumes separados" Martin Heidegger

domingo, 22 de novembro de 2015

SONETO LXV



Se a morte predomina na bravura
Do bronze, pedra, terra e imenso mar,
Pode sobreviver a formosura,
Tendo da flor a força a devastar?
Como pode o aroma do verão
Deter o forte assédio destes dias,
Se portas de aço e duras rochas não
Podem vencer do Tempo a tirania?
Onde ocultar - meditação atroz -
O ouro que o Tempo quer em sua arca?
Que mão pode deter seu pé veloz,
Ou que beleza o Tempo não demarca?
Nenhuma! A menos que este meu amor
Em negra tinta guarde o seu fulgor



quinta-feira, 24 de setembro de 2015

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Apócrifo


Estou prestes a terminar de perder minha comunicação com as pessoas.
Sinto minha liberdade excêntrica
De não precisar de nada pra viver
Basta

Ainda enxergo o cobertor roxo escuro
Em cima do guarda-roupa
Longe do meu alcance
E distante da minha vontade

Às vezes tenho vontade de destruir esse pequeno acumulador de poeira
A angústia me consome de uma maneira tão intensa
Fico perdida no espelho dos meus olhos
E me pergunto: será que você ainda me lê?

Paro e lembro da sua visão
Sinto falta do seu poder de decifrar
Se pudesse ver o quanto me transformei
Não me sinto como nada que fui

Não me reconheço diante dos seus olhos
E não sei em quem me transformei, quem eu era
Distante de mim, cada dia
Eu procuro uma saída pra encarar a realidade da vida

Humanos, não somos nada além de um pedaço de vida
Sobrevivendo como parasitas que comem pra não morrer
Todos os dias escrevendo páginas de um livro cronometrado
A vida de agora, é a mesma do futuro

Viver é só isso
É existir da melhor maneira possível
É provocar essa evasão de neutransmissores
Que de uma maneira inexplicável nos provoca prazer


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

C.
No asfalto quente
do aeroporto
como uma miragem

É a alma quem castiga o corpo
esta é a mensagem
na paisagem distorcida
pelos aviões que sobem