As pessoas costumam sempre lembrar o quanto minhas coisas são bagunçadas. Tudo meu é desarrumado, sempre perco minhas folhas mais importantes, minha identidade, dinheiro, celular, materiais escolares e até pessoas. É incrível meu dom de perder as coisas. No início do ano começo achando que vai ser tudo diferente, compro vários lápis, canetas, borrachas e na primeira semana eu já perdi tudo, acabo sempre pegando as coisas emprestadas na sala de aula e depois perdendo também.. Hoje , venho justiçar o motivo disso tudo(ou simplesmente oferecer uma desculpa para explicar minha desordem). Acreditem, com uns 4 anos(tinha a mesma altura de hoje{ <- esse comentário foi inútil}) era uma pessoa organizada, séério mesmo, gostava de arrumar meus materiais antes de ir pra aula, tinha meu estojo separadinho e detestava ver as coisas jogadas pelo chão, mesmo que fosse coisas dos outros. No entanto esse hábito meu logo foi transformado, por uma situação da vida. Um belo dia, ensolarado(outro comentário inútil). Eu e aquela prima do KLB(texto cazuza) sempre estudamos na mesma escola, acho que pelo fato de sermos filhas únicas nossas mães gostavam que convivêssemos juntas. A questão é que fui dormir na casa dela, no outro dia havia aula e íamos juntas. Ela tinha um cachorro(que eu detestava), eu sempre tive alergia de cachorros então era meio que difícil conviver com aquele canino infeliz, esse cachorro era muito legal, pulava em cima de mim, da cama, e me deixava com os olhos sempre coçando(quem conhece já me viu em uma crise alérgica). Na época 1,00 era dinheiro, mamãe me dava 1,00 e eu achava que poderia comprar o mundo, váárias pipocas, balas, sorvetes. E foi o que aconteceu, eu juro, mamãe me deu o MEU 1,00 pra eu levar pra escola no outro dia, eu guardei direitinho na minha mochila nova de rodinhas (eu lembro). Depois minha tia deu o 1,00 da minha prima, só que ela deixou em cima de mesinha do quarto, e como o cachorro era muito legal a moeda acabou caindo no chão, e eu com toda a minha organização e preocupação resolvi guardar a moeda para que aquele quadrúpede não engolisse o lanche do dia seguinte da minha prima. Até ai tudo bem, eu com as minhas boas intenções, pensei: “quando minha prima voltar eu entrego o dinheiro pra ela”, só que aí minha tia chegou e perguntou cadê o dinheiro, eu tentei expliquei toda a situação, mas antes que terminasse de falar o meu bem feito, minha tia super educada me deu as costas. No outro dia belo ensolarado, voltei pra casa depois da aula, mamãe sempre preferiu usar aquela tática de que conversa resolve tudo(eu nunca apanhei), e foi bom pra minha educação e pro meu corpo. Ela estava sentada na minha cama me esperando pra me explicar que eu não podia pegar as coisas que não me pertenciam. PORRA, eu tinha o meu 1,00 eu não queria a merda do dinheiro da minha prima, eu ia guardar. Só que minha mãe nunca acredita no que eu falo, ela sempre duvida de mim, e como papel de mãe ela deveria me alertar sobre as visões do mundo, me explicou aquela história de que quem-rouba-uma-agulha-rouba-um-carro, por fim, fiquei completamente traumatizada com organização, decidi que não ia mais organizar as coisas de ninguém, e muito menos as minhas, e deu no que deu. As pessoas me condenam sem saber do meu infeliz passado.
O mesmo acontece com a perda de pessoas, não tive trauma(não que eu me lembre) nem nada, mas eu acabo sempre ficando do jeito que eu cresci: sozinha. Pareço com o meu pai nesse aspecto, gosto das pessoas e tudo, mas apelo fácil, e esse pode ser um dos motivos(ou o maior) pelo qual perco as pessoas. Já tentei mudar, não consigo, no fim sempre acabo saindo de perto, desligando o telefone, bloqueando e por ai vai. Acho que a resposta está no meu jeito exagerado de ser, e de repente espero que todos sejam iguais a mim. Ninguém entende que eu não quero apelar, que eu não quero ir embora, que eu não quero afastar. As pessoas acham que é de propósito, que eu planejo.. mas não é. Eu tenho inúmeros defeitos, e os reconheço, mas eu gosto das pessoas , e gosto muito muito. Não sei gostar pouco e nem moderadamente, e aquele sentimento que tem seu ápice, em mim o ápice é constante. E é como eu disse à uma amiga hoje, as pessoas que são mais importantes pra mim, tornaram-se em um curto intervalo de tempo. Comigo não tem aquela coisa: com o tempo fui aprendendo a gostar. Ou começa gostando, ou tchau. E foi assim que aconteceu com você. Não se canse de mim, ou pense que eu não gosto de você por às vezes eu dar as costas, acredite que no próximo segundo eu sempre me arrependo, e é por isso que quando chego em casa tento falar com você, e tentarei sempre que achar que vale a pena. Entenda que eu me sinto mal quando você me trata desdenhosamente, mas esqueço na metade do tempo em que eu me arrependo devido à paz que você me causa quando está por perto. Não sinto medo e nem vergonha, você me ensina coisas sem querer. Não quero me machucar nem me enganar, lhe dando um valor que talvez você nem queira, de qualquer forma obrigada por me entender e por ter a maior paciência do mundo comigo. Você é a minha maior esperança no meio de tudo isso que eu vivo agora, me imagino conversando com você daqui alguns anos, talvez.
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o.O