quarta-feira, 31 de março de 2010

Já era tarde, nem me lembro quantas vezes tentei enxergar seus olhos de tão escuro que estava. Ficava passando a mão nas suas costas, na esperança de que você, assim como eu gostasse. Então você pegou minha mão, respirei fundo, em um segundo me senti forte e segura ao mesmo tempo. Naquele momento eu sabia que um dia estaria escrevendo pra eternizar cada palavra sua. Eu, como sempre, lembro exatamente a ordem de cada vírgula.
Lembro primeiramente de você me dizendo que preferia um olho meu mais do que o outro, e sem entender disse: não há diferença, fiquei olhando pros seus tentando te entender quando você seguiu com as frases:
- tá vendo esse olho aqui? ele é seu
- esse outro também,
- tá vendo essa mão que você está segurando? ela é sua
- assim como todo o meu corpo.
respirei fundo, e soube que uma eternidade seria pouco pra nós.

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