Avenida está escura, não possibilidades do encontro de qualquer pessoa agora. Estou tão distante e tão perto ao mesmo tempo. Eu vejo carros, carros dos quais eu me recordo dos sonhos e cada um tem uma mensagem pra mim. Eu tentei fugir de um, o mais diferente de todos, eu andei pra trás e mesmo assim ele veio em minha direção. Estática, desperta, sem explicações. Sigo meu caminho frio e lento, só agora eu percebo o quanto eu andava depressa, um dos carros que eu encontrei, na verdade o primeiro, me disse: “Mais devagar”, era um senhor, cansado, parecia mais experiente de qualquer outro. Engoli o conselho. Todos sempre me alertaram do quanto eu era rápida em minhas ações, eu já havia percebido também que sempre estava com pressa. Esse é o primeiro dos meus conselhos, andar devagar.
Claro, quando a gente corre, chega mais rápido e quando chega mais rápido sobra tempo, consequentemente nulo. O tempo deve ser aproveitado por completo. E esse conselho, sobre o resto de tempo eu vivi sozinha. Só agora eu vejo o quanto eu corri pra chegar ao lugar nenhum.
Nas minhas ruas, passaram mais carros, alguns despercebidos, mas tenho certeza de que os mais importantes eu notei. Queria que todas as vezes em que eu não seguisse conselhos exatos eu me encontrasse com carros diferentes para me mostrar o caminho certo. Estou perdida, confesso queria sair andando sem rumo. Todas as minhas direções são invalidas e não convém mais te esperar.
Tenho pouco tempo, quem sabe eu pudesse expandir todos os segundos que ainda me restam. Mas já expandi demais, sairia prejudicada se eu fizesse mais uma vez.
È estranho me deparar com um trem no meio dos carros. O trem me tem uma função diferente dos carros, ele me traz as recordações, sem conselhos, uma retrospectiva dos meus 18 anos vividos, desde a primeira vez que me emocionei até quando eu não sabia me expressar. É como se o trem entrasse em mim não deixando que nenhum fato passe sem ser notado. Confesso que não queria que houvesse trem nenhum trocaria pelos carros, porque tudo que eu quero agora é esquecer de tudo, esquecer de quando eu achava que eu conhecia você de outras vidas e que vivi meus anos te procurando, engraçado que quando te encontro te perco, antes viver em busca de algo na esperança de que um dia ele será encontrado do que acordar todos os dias com a idéia de que não há mais o que buscar. Eu sempre admirei nas pessoas o motivo que faz elas se moverem amor, dinheiro, fama, sucesso, realização profissional, conhecimento e eu já disse amor?
Era legal deitar e ficar analisando as pessoas como se elas fossem um experimento e descobri o que cada um busca, eu sempre priorizei sentimentos na minha vida e se alguém em analisasse como eu analiso as pessoas me definiriam como um pacote de sentimentos intensos. Errada.
Outros carros me disseram conselhos sábios, dos quais eu me lembrarei pra sempre, mas dentre todos o primeiro e o ultimo foi o mais importante, lembro de mim soluçando, chorando, reclamando em voz alta de como a gente se entrega pras pessoas, de como as ajudamos e depois quando precisamos elas não estão lá. “A única coisa que permanece é a mudança.” Por isso eu não espero que as pessoas que eu ajudei façam o mesmo por mim, o sentimento que eu tenho por elas pode ser muito maior do que o que elas tenham por mim e quando você precisar quem você mais espera pode não estar ao seu lado, mas também há a possibilidade de você encontrar abrigo em outro ombro, quem sabe um até melhor, aquele que você menos espera pode ser o que mais vai te ajudar.
Sem lado, sem crime, sem direção. O pulso diz: sonhos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
o.O