
Tinha tudo pra ser um dia como os outros. Acordou, abriu a janela e com um breve olhar pra vizinhança suspirou. Monótono. As coisas no seu devido lugar já tinham uma marca no chão. Não mudava os móveis, as plantas e nem se quer mais reparava na beleza deles. Um dia ficou pensando em como objetos podiam inferir na vida das pessoas, sim, porque eles já não faziam diferença assim como quem participava da sua vida. Chegou um momento em que as pessoas e os objetos para ela atingiram um ponto onde não podiam mais ascender de nível e também não atenuaria. Triste. As coisas em nossas vidas devem sempre fazer um diferença, estabilidade é bom, mas até um certo ponto.
Havia conseguido tudo que um dia sonhou na sua infância, casa grande, cachorro, televisão no quarto. Mas havia perdido a sua personalidade e o seu desejo de buscar sempre mais. Antes, todos os dias vivia com o intuito de alcançar algo, mas quando tudo que um dia sonhara foi alcançado rendeu-se e entregou-se ao constante. Aceitou a idéia que antes tanto doía, as coisas só lhe faziam felizes por um momento. Como uma chuva de empolgação que a molhava por inteiro, mas que quando secava não fazia mais nenhum sentido. Cortou suas relações como quem pega uma toalha e enxuga o corpo sem nem se lembrar depois porque aquilo era algo polar.
Tinha tudo pra ser um dia como os outros. Acordou, abriu a janela e como o breve olhar na vizinhança suspirou, tinha visto de relance alguém pela rua. Estava com o aspecto diferente, a vida também tinha modificado tal pessoa.
Por um segundo o segundo em que olhou pra janela e avistou, veio na cabeça a jura de felicidade de quem estava la embaixo, havia lhe prometido a tanto tempo atrás e com soluços no telefone ouviu em troca que não havia mais amor vindo de um lado. Não era injustiça, ela apenas tinha pegado a toalha e claro, não era culpa dela querer ficar seca. Por outro meio tempo veio uma breve vontade de lhe acenar e pedir pra subir, talvez aquela vida monótona poderia ser quebrada apenas com uma conversa de como os anos se passaram, mas como a maioria das suas vontades ela arriscou não chamar e esperou que passasse , fechou a janela e agiu como se fosse um dia como os outros. Mas não foi. O dia foi levado pelo ditado se teria dado certo se no dia do telefone ela falasse que ainda gostasse um pouco e a pessoa quisesse lutar mais por ela. Passou o dia pensando se tinha feito algo errado e como seria se tivesse acompanhada por ela naquele momento. Não que ela tivesse sozinha sem ninguém a ponto de pensar somente em que avistou pela janela, mas todos os companheiros que tivera depois nunca desapertou nada dentro dela, chegou a pensar que tinha problemas e precisava de um psicólogo. Se as pessoas cansam, quem sabe no dia do telefone diante de tanta humilhação antes de passar pela janela alguém tinha decidido que era melhor cortar, cortar tudo. Doeu muito. Nos próximos dias dos meses tornaria tudo a ser igual o pensamento só ocupou sua cabeça por um dia.
Foi vivendo assim, um dia acordou arrumou as coisas e sem nenhum móvel saiu. Longe, foi embora e não mais voltou.
Magalhães, Monique. “Sentimentos Induzidos e Perpétuos”.
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o.O