Desde que te conheci, tenho reconhecido o quanto de mim resta em uma mala. Poderia ter sido jogada fora, mas estava guardada onde ninguém acharia. De pé a janela, observo o nublado e sinto aquele vazio sendo preenchido por algo nao totalmente conhecido: era você chegando. Separei um canto limpo para que você pudesse ocupar, mas ainda assim sentia que tudo ali estava empoeirado. Tons de cinza preenchiam o ambiente e eu sentia necessidade de mostrar a parte bonita que ainda existia empoeirada e empilhada. A mala continuava guardada. Três ou quatro andares, havia muito a ser mostrado. Nao sentia vontade de fazer mais nada além de mostrar o que ali existia. Apesar da ansiedade em viver aquilo, fica demasiadamente desapontada por tudo ser preenchido em cinza.
O seu canto foi tornando-se pequeno logo após a sua chegada, você foi ocupando cada vez mais espaço e colocando cor onde havia cinza. Agora sim havia mais de mim pra te mostrar, havia cores e luz, claridade. Pensei que estivesse, talvez, te mostrando a parte boa que ali existia, mas na verdade era você, colocado a melhor parte de voce em mim.
Abri a mala, nao havia mais um grão de poeira. Nem parecia que estava tanto tempo guardada.
Sem lado, sem crime, sem direção; o pulso diz: permaneça pois eu sentiria sua falta ate mesmo se você nao existisse.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
o.O