domingo, 29 de março de 2020

Poema contemporâneo

Hoje eu tomei uma decisão que, embora soe corriqueira e não tão importante, será um marco para minha vida pessoal:
parei de escrever para os outros e passei a escrever para mim.
Ocorre que não tenho mais vontade de me expor ou de dizer coisas
que as pessoas podem nem mesmo entender ou fazer parte.
Além disso, escrever para mim é uma forma de me comunicar comigo mesmo,
para que eu possa sempre me conhecer.
Quero me acompanhar nas minhas diversas fases da vida,
olhar para mim e me ver cada dia mais diferente e
talvez distante de quem já fui.
Passaram-se alguns anos.
Hoje, tenho a maioria das coisas que desejei ter um dia e
mais algumas preocupações que vieram com a idade.
Sinto em mim um grande amadurecimento,
quando me olho e vejo como a minha rotina é diferente.
Embora sinto que estou no caminho do meu sucesso,
uma forte angústia passou a me perseguir.
Às vezes chego a colocar  a mão no peito,
em um gesto de extrema humildade,
quando sinto o quão pequena posso ser.
Aperto meu peito, como que se pudesse comprimir meu tórax e massacrar essa angústia.


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