(...) Era preciso uma morte, para então ouvir sua voz. Mas se ela existir, não haverá som. Nenhuma cor. Nenhuma palavra. Só dois fins. Finalidade do desespero quando não é mais necessário misturado com um grande pacote de sonhos.
É pra mim?
-Você sabe que sim.
Mas gosto de ouvir você dizer que é pra mim.
Você me ama?
- Não era pra amar?
Claro que sim,mas quero ouvir agora se você me ama.
- Eu te amo,muito
Então não me deixa
- Eu não vou te deixar
E a história redigida como um conto começou a se tornar real quando não havia mais pra quem ligar. Toca telefone, falei alto. Costumava falar sozinha desde que você partiu. O que era tão importante que não poderia esperar mais um dia? Uma vida. Na hora não reconheci,mas se eu pudesse voltar ao tempo, cara, eu não posso. Já era.
Peguei suas manias das quais eu odiava desde que você se foi,tornei-me eufórica e sentia a saudade sem tamanho que você dizia sentir, será possível que todos os sentimentos que você sentia por mim foram transferidos com a mesma intensidade depois que você partiu? Eu achava sentir a sua intensidade, a sua dor, a sua saudade o seu amor, porém só agora eu vejo que tudo era numa quantidade maior e essa é a resposta pra todas as minhas perguntas quando eu perdia a paciência vendo você chorar demais por nada. Perdi a conta das vezes em que mandei você calar a boca, fria e grossa. E , especialmente hoje eu to sentindo o tamanho do amor que você dizia sentir mesmo diante a dor. Porque você não grita? Porque não me pede pra ficar? Porque? Eu vou sair se você não se manifestar,faça alguma coisa.
Seria cômico se não fosse trágico. Eu sair? Pra onde? Talvez se eu corresse, mas pra que lado? Não há direção sem você. Eu queria estar do seu lado todos os dias,mas se pudesse escolher, escolheria o dia onze do mês de julho. Eu te amo, fim.
Magalhães, Monique. “Sentimentos Induzidos e Perpétuos”.
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o.O