Não sei o que lhe dizer, meu céu já não brilha. Nenhum brilho sai do meu corpo, nada vai em direção a lugar algum. Estou estagnada em uma realidade que não quero aceitar e que eu não poderia concordar. Eu daria tudo que eu tenho se a gente voltasse aos primeiros dias nossos, onde o nosso céu era só o que importava. Meu quarto não entra luz e eu já não consigo mantê-lo iluminado com minha luz pois falta você em mim. Falta você e a sua luz para que a minha exista. Nossos sonhos estão numa caixa tão pequena agora e toda a minha coragem de enfrentar o mundo acabou. Dormir. Dormir e tentar sonhar, por segundos. Mas na minha cabeça o único pensamento que surge assim é sobre você, e diante dessa situação, sonhar é pouco.
Minha dor é inexplicavel e cresce numa proporção maior do que crescia meu amor. A dor toma conta de mim, me inunda com toda a escuridão e podridão. Eu queria saber como fazer a sua dor sumir, para então o céu voltar, com todo branco que a gente possa imaginar.
domingo, 23 de janeiro de 2011
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
"Pedi pra mãe – me interna, to infeliz pra caralho.
Aquela velha história do amigo engarrafado me era completamente aplicável, não havia companhia melhor. Porque eu não desejava conversar, pessoas se preocupam demasiadamente e eu não precisava de especulações, conversas enfadonhas e repetir tudo o que estava acontecendo comigo. Não.
Eu não quero falar sobre isso. Isso o quê? Se eu tivesse noção do que era... Acontece que esses dias estão tortuosos e eu não desejo levantar-me daqui, a poltrona já adquiriu o formato do meu quadril e a TV me dá o entretenimento necessário para continuar trancafiada aqui. Sossego é o que eu quero. Desde que ele fora embora, eu ouço versos que me falam sobre amores arruinados, o coração já não bate, esquecera completamente o tal do Tum-tum-tum. Será que o coração bate assim? Há algum tempo que não sei como ele reage, porque os dias estão vazios. Sabe toda aquela ideologia de que é possível viver sozinho? Pois é. Acreditava nisso piamente porque ele estava ao meu lado, agora que se foi, tudo é cinza. E eu chorei um oceano inteiro essa noite. Eu precisava esvaziar. Porra eu preciso ser internada."
Aquela velha história do amigo engarrafado me era completamente aplicável, não havia companhia melhor. Porque eu não desejava conversar, pessoas se preocupam demasiadamente e eu não precisava de especulações, conversas enfadonhas e repetir tudo o que estava acontecendo comigo. Não.
Eu não quero falar sobre isso. Isso o quê? Se eu tivesse noção do que era... Acontece que esses dias estão tortuosos e eu não desejo levantar-me daqui, a poltrona já adquiriu o formato do meu quadril e a TV me dá o entretenimento necessário para continuar trancafiada aqui. Sossego é o que eu quero. Desde que ele fora embora, eu ouço versos que me falam sobre amores arruinados, o coração já não bate, esquecera completamente o tal do Tum-tum-tum. Será que o coração bate assim? Há algum tempo que não sei como ele reage, porque os dias estão vazios. Sabe toda aquela ideologia de que é possível viver sozinho? Pois é. Acreditava nisso piamente porque ele estava ao meu lado, agora que se foi, tudo é cinza. E eu chorei um oceano inteiro essa noite. Eu precisava esvaziar. Porra eu preciso ser internada."
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
De sol;
Todos os dias de estrela, miscigenados, além da quimera de sua essência; bizarro é apetecer assim.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Eu vejo a sua face;
Descontrole. Precisava de tempo pra organizar seus pensamentos que, deturpados, estavam machucando-a. Passava horas do dia parada olhando pra lugares fixos sem reparar nem a forma deles, apenas imaginando como seguiria em frente. Não encontrou uma fórmula exata de como superar tudo, ainda que muitos tentassem ajudar com várias teorias. Não sabia que pra esquecer tinha que vir de dentro e mesmo quando soube não esqueceu. Trágico? Não conseguia imaginar nenhum momento especial com nenhuma outra pessoa. Não havia poesia quando não tinha você. Sou eu agora quem falo por um coração vazio de emoção, mas cheio de sentimento que, não busca mais outros toques, senão o seu. Aquele olho, que sei que não é mais meu, tampouco o outro, não sai da minha memória tão recheada de sonhos. Escrevo, não como uma forma de te trazer de volta, tenho convicção de que te ter de novo é deveras impossível, mas mesmo assim tenho uma necessidade enorme de registrar tudo que eu sinto. Mesmo que minha única inspiração não leia, quero olhar pra isso tudo e um dia poder dizer: como é bonito sentir amor. Sim, porque tenho absoluta certeza que daqui em diante não serei capaz de amar ninguém. Não digo isso com arrogância ou sendo ignorante,apenas sei que não vou conseguir construir nada tão forte quanto o que sinto. Ainda.
Não tenho te ligado. Faz uns dias, não sei exatamente quando, mas sei que você não deseja mais ouvir minha voz. Ainda assim me pego, muitas vezes, querendo dar um telefonema, nem que seja pra ouvir você me xingar. Quem sabe, você um dia queira saber como eu estou. Sabe,eu tenho saudade da gente, daquele nós que construímos, tão indestrutível. Fico imaginando o dia que você vai me ligar e trocaremos sorrisos presenciais como antes, parece que tem tanto tempo que não te vejo.
mnq m.
mnq m.
Não sei o que tem me acontecido. Minha mente não para de me mostrar alguns momentos, tão intensos, passados. E meu coração bate de uma forma diferente. Tenho gostado de ficar lembrando tudo que aconteceu, por ora; sinto-me completamente masoquista por me satisfazer de fatos, mesmo que bonitos, que passaram e não tem a mínima chance de se repetir, ainda que eu queira.
mnq m.
mnq m.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Apenas me deixe em paz.
Perto do fim todos as sensações são ajustadas. Nesse meio, não há confusão ou dúvida. O que vale a pena e o que não. Estática, permaneço querendo buscar mentiras. Fracasso. Você, com todas as luzes, sempre foi a magnitude do perfeito materializado em minha frente e mesmo que algumas de suas atitudes deixassem adesejar eu gostava de acreditar que tudo que saia da sua boca era bonito, que todos os seus gestos eram exatos e que suas ações eram sempre perfeitas. Mesmo que, na maioria das vezes, me machucasse. Não vou mais sintetizar um brilho inexistente. Por muito tempo eu me mantive próxima a qualquer manifestação sua, querendo aproximar de mim, como muitas vezes ocorreu.
Eu não sabia qual era a linha que me prendia a você depois de tanto mal. Você nunca me explicou porque me deixou ou porque nunca quis ao menos minha amizade e como conseqüência disso, eu nunca consegui seguir em frente. Estava sempre a um passo, tomando decisões para evitar o que mais temia: o dia que você não voltasse mais. As palavras ditas ou escritas, tão suas e minhas, me dizem que não passaram de uma ordem aleatória. Deixando tudo o que foi dito como um aglomerado de incertezas e promessas inválidas. Só então eu percebi que deveria mesmo fazer o que você tanto queria. Mesmo se os caminhos mudarem de direção e ,por ventura, algum dia você desejar dizer a ultima palavra. Não hesite. Não há mais nada que amenize ou contorne toda a dor das ultima frase gravada em minha mente. Apenas me deixa em paz.
"Não importa o quanto você se importa, algumas pessoas simplesmente não se importam." W.S.
- É PRA T DEIXAR EM PAZ?
-ESSA SAO SUAS ULTIMAS PALAVRAS?
-NÃO IMPORTA OQ ACONTEÇA
-VOCÊ SO QUER Q EU NAO T LIGUE
-PODE TA TD CAINDO, O MUNDO ACABANDO, EU MORRENDO, VC SO QUER FICAR EM PAZ E SEGURA?
-LONGE DE TD Q TENHA LIGAÇÃO COMIGO?
- exato.
- sim.
-você entendeu né?
-ou vai acontecer tudo de novo?
-entendi, nem se eu souber q vo morrer amanha, vc nao se importa, nao eh pra te procurar por NADA
NESTA VIDA
-aham
-porque nem se eu souber que eu vou morrer amanhã
-eu vou te procurar
-por nada na minha vida eu te procurarei
-e quero o mesmo vindo de você
-ESSA SAO SUAS ULTIMAS PALAVRAS?
-NÃO IMPORTA OQ ACONTEÇA
-VOCÊ SO QUER Q EU NAO T LIGUE
-PODE TA TD CAINDO, O MUNDO ACABANDO, EU MORRENDO, VC SO QUER FICAR EM PAZ E SEGURA?
-LONGE DE TD Q TENHA LIGAÇÃO COMIGO?
- exato.
- sim.
-você entendeu né?
-ou vai acontecer tudo de novo?
-entendi, nem se eu souber q vo morrer amanha, vc nao se importa, nao eh pra te procurar por NADA
NESTA VIDA
-aham
-porque nem se eu souber que eu vou morrer amanhã
-eu vou te procurar
-por nada na minha vida eu te procurarei
-e quero o mesmo vindo de você
ps.: Você tem razão, eu me importava.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Quimera
A rotina nunca a feriu tanto nos últimos dias. Lisa encontrava-se contemplando as estrelas da grande janela do seu quarto. Buscava uma mudança repentina. Será que depois que alcançamos tanto sossego, buscamos desordem? Ela não sabia ao certo explicar, chegou a pensar que estava louca por se cansar de tanta paz.
Do mesmo lado da cidade existia ele em demasiada cólera, calado e estático: aquele-que-deveria-sumir-da-sua-vida. Não pensava em esquecer e decidiu que ia fingir estar bem, já que Lisa não se esforçava pra isso. Se fosse necessária uma palavra para descrevê-lo, essa seria aflição. Não sabia o que fazer nem como agir, deitou-se na cama e pôs-se a sonhar. A única visão que tinha era os sapatos no chão do quarto. Encarando-os, lembrou-se do quanto ela gosta daquele par de sapatos e das vezes que o elogiava, lembrou das tardes que passaram juntos e das noites também.
Dessa vez ele não sumira, ela sabia onde o encontrar e mesmo assim não o procurava, nem mesmo para lembrá-lo dos remédios. Lisa tirou um tempo pra si, queria sossego. Fechar os olhos diante de um tanto de confusão. Como era bom a sensação de não ter mais com quem se preocupar.A paz forjada. Sentia-se feliz com os amigos e com as obrigações que tinha e não precisava mais dele, pra nada. Ela tinha certeza disso, no entanto, ele não aceitava a ideia de que ela não o queria mais em sua vida e, mesmo afastando, se confortava achando que um dia ela o procuraria.
Lisa não sabia o que fazer, mesmo que quisesse não daria tempo de preparar um presente. Mesmo assim ela decidiu que deveria mostrar que se lembrava do aniversário dele como um dia supremo. Comprou um laço grande e em uma caixinha pequena colocou o presente que, ela não sabia, era o que ele mais queria no mundo. Sem saber como ele bateria dentro de uma caixa e nem como falar com ele, ligou e disse: “Você me irrita e me deixa nervosa, mas descobri que de nada vale viver em paz sem dia de sol e dia de chuva, me encontre em uma hora em nosso lugar.” Por medo ou vergonha, ela não esperou a resposta do outro lado do telefone, desligou e começou a se arrumar.
Durante o banho pensou em não ir,porque ele poderia estar com os amigos e esses sabia o quanto ele tinha sofrido por Lisa. Depois do primeiro motivo para não ir, surgiram outros. De onde tiraria coragem para falar tudo o que pensa? E o presente, que não era nem de perto o que ela gostaria de lhe dar. Mesmo assim, ao sair do banho decidiu que nada a impediria de fazer o que seu coração mandar. A caixa batia forte e esse fora o ensinamento mais importante que ela adquiriu no relacionamento: fazer o que o coração mandar.
Quando ela chegou, ele já se encontrava lá, sentado. Na certa esperando que ela o xingasse ou dissesse o quanto arrependera a um ano atrás de tudo que aconteceu. Ela não sabia ao certo o que dizer,mas quando se aproximou soube que mesmo cansada, o queria. Tirou o presente da mochila e sem uma palavra lhe entregou. Silêncio. As mesmas lágrimas de emoção que ela fez nascer nele um dia. Lisa o beijou. As palavras saíram flutuando de sua boca:
“Olha, isso é bem pouco diante do que eu queria te dar, mas só ontem eu descobri que o amor não é suficiente, mas é o primeiro passo para tentarmos mais uma vez. Queria te dizer que..., é.. você tem meu coração de volta. Vamos devagar dessa vez. “
“Olha, isso é bem pouco diante do que eu queria te dar, mas só ontem eu descobri que o amor não é suficiente, mas é o primeiro passo para tentarmos mais uma vez. Queria te dizer que..., é.. você tem meu coração de volta. Vamos devagar dessa vez. “
Alguma coisa nos olhos dele começou a arder. Descobriu que era o sol. Adormecera olhando pros sapatos.Seu aniversário já acabara. Levantou e foi procurar o celular, nenhuma chamada. Ela não havia ligado e nem mandando mensagem. O sonho parecia tão real, tinha até os pensamentos de Lisa. A idéia confortável que ela precisava dele, ainda que distante, sumiu. Em apenas dois segundos soube que ela realmente o tinha esquecido.
Aquele minuto foi o mais importante da sua vida, pois foi nele que descobriu que teria que parar de fingir estar bem e começar a ficar.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Sensações
A noite é o corpo
O calor do tempo
O suor do amor
Compartilhado por dentro
O som é o prazer
O toque é o sabor
De perto quero ser
De longe vejo a cor
Arrepios e sussurros
Enchem minh’alma do gosto
Olho atentamente sua face
Faço do seu corpo meu posto.
Deita próximo de mim
Minha paz quer te olhar
De perto somos gim
De longe não posso ficar
MnqM
domingo, 11 de julho de 2010
Hipertônico
(...) Era preciso uma morte, para então ouvir sua voz. Mas se ela existir, não haverá som. Nenhuma cor. Nenhuma palavra. Só dois fins. Finalidade do desespero quando não é mais necessário misturado com um grande pacote de sonhos.
É pra mim?
-Você sabe que sim.
Mas gosto de ouvir você dizer que é pra mim.
Você me ama?
- Não era pra amar?
Claro que sim,mas quero ouvir agora se você me ama.
- Eu te amo,muito
Então não me deixa
- Eu não vou te deixar
E a história redigida como um conto começou a se tornar real quando não havia mais pra quem ligar. Toca telefone, falei alto. Costumava falar sozinha desde que você partiu. O que era tão importante que não poderia esperar mais um dia? Uma vida. Na hora não reconheci,mas se eu pudesse voltar ao tempo, cara, eu não posso. Já era.
Peguei suas manias das quais eu odiava desde que você se foi,tornei-me eufórica e sentia a saudade sem tamanho que você dizia sentir, será possível que todos os sentimentos que você sentia por mim foram transferidos com a mesma intensidade depois que você partiu? Eu achava sentir a sua intensidade, a sua dor, a sua saudade o seu amor, porém só agora eu vejo que tudo era numa quantidade maior e essa é a resposta pra todas as minhas perguntas quando eu perdia a paciência vendo você chorar demais por nada. Perdi a conta das vezes em que mandei você calar a boca, fria e grossa. E , especialmente hoje eu to sentindo o tamanho do amor que você dizia sentir mesmo diante a dor. Porque você não grita? Porque não me pede pra ficar? Porque? Eu vou sair se você não se manifestar,faça alguma coisa.
Seria cômico se não fosse trágico. Eu sair? Pra onde? Talvez se eu corresse, mas pra que lado? Não há direção sem você. Eu queria estar do seu lado todos os dias,mas se pudesse escolher, escolheria o dia onze do mês de julho. Eu te amo, fim.
Magalhães, Monique. “Sentimentos Induzidos e Perpétuos”.
É pra mim?
-Você sabe que sim.
Mas gosto de ouvir você dizer que é pra mim.
Você me ama?
- Não era pra amar?
Claro que sim,mas quero ouvir agora se você me ama.
- Eu te amo,muito
Então não me deixa
- Eu não vou te deixar
E a história redigida como um conto começou a se tornar real quando não havia mais pra quem ligar. Toca telefone, falei alto. Costumava falar sozinha desde que você partiu. O que era tão importante que não poderia esperar mais um dia? Uma vida. Na hora não reconheci,mas se eu pudesse voltar ao tempo, cara, eu não posso. Já era.
Peguei suas manias das quais eu odiava desde que você se foi,tornei-me eufórica e sentia a saudade sem tamanho que você dizia sentir, será possível que todos os sentimentos que você sentia por mim foram transferidos com a mesma intensidade depois que você partiu? Eu achava sentir a sua intensidade, a sua dor, a sua saudade o seu amor, porém só agora eu vejo que tudo era numa quantidade maior e essa é a resposta pra todas as minhas perguntas quando eu perdia a paciência vendo você chorar demais por nada. Perdi a conta das vezes em que mandei você calar a boca, fria e grossa. E , especialmente hoje eu to sentindo o tamanho do amor que você dizia sentir mesmo diante a dor. Porque você não grita? Porque não me pede pra ficar? Porque? Eu vou sair se você não se manifestar,faça alguma coisa.
Seria cômico se não fosse trágico. Eu sair? Pra onde? Talvez se eu corresse, mas pra que lado? Não há direção sem você. Eu queria estar do seu lado todos os dias,mas se pudesse escolher, escolheria o dia onze do mês de julho. Eu te amo, fim.
Magalhães, Monique. “Sentimentos Induzidos e Perpétuos”.
sábado, 10 de julho de 2010
Sem êxito
De portas fechadas, havia um silêncio que a consumia completamente por dentro, deixando-a totalmente ilesa diante de todas as decisões que naquele momento a cercavam. Mas aquele silêncio não era maior e nem poderia ser comparado ao silêncio que a separava dele,esse sim dissimulava diretamente todas as suas determinações.
Às vezes ficava na sacada, esperando que talvez ele passasse e assim acenasse como quem diz um oi habitual. Nada acontecia. Por vezes em que o telefone tocara teve a esperança que fosse ele, pra pegar as roupas velhas em casa ou pra lembrá-la de tomar os remédios diários. Muitas vezes ele ligou apenas por preocupação ou obrigação. Mas a dois meses atrás, sábado, manhã quente, quando ligou, ele aparentava mais frio e restringiu a ligação em apenas: tome os remédios. Nem se quer perguntou se ela estava bem, se estava feliz. Oito semanas depois e não mais ele retornaria a ligação. Achava estranho, mas não resolveu procurar, ser um peso, afinal depois de terminados que obrigação tinha ele de ficar lembrando-a de tomar remédios, a doença era sua e ele nada tinha com isso. Com o telefone na mão, resolveu ligar, mas uma esfinge a rodeada, que desculpa usaria? “Olha, venha buscar suas roupas” Isso poderia soar deturpado. Não, melhor não fazer nada. Silêncio.
Perdeu a conta das vezes em que sentava no sofá e ficava observando a televisão desligada, recordava do quanto ele era apegado na televisão e do quanto isso a incomodava todos os dias. Por alguns segundos ela queria que ele estivesse ali vendo televisão enquanto ela assistia a beleza dele. Brigas e discussões nunca tiveram fim entre os dois, todo dia palavras distorcidas criavam conflito entre eles. E isso, não era falta de amor, eles se amavam tanto mas tanto que não havia espaço pra guardar tanto amor depois que ele foi embora.
Brigavam por qualquer motivo, mas a culpa era sempre dele que expressava demais, ficava perto demais e não dava espaço pra ela fazer outras coisas que não o envolvesse. Nos últimos dias estava se tornando chato, falando repentinas vezes ao dia o quanto a amava, o quanto queria estar perto dela pra sempre. No inicio ela gostava, mas depois parecia que não mais ouvia o que ele dizia e só via a face dele mexendo repetindo as mesmas palavras. Na sua mente só passava uma coisa: “Já sei que você ama, da pra parar?”. Com o tempo ele foi percebendo o quanto estava deixando o relacionamento dos dois chato e cansativo. Um dia ela acordou com o som do trem que passava a duas quadras de sua casa, era domingo e o engraçado era que aquele som nunca tinha lhe incomodado antes, mas especificamente naquele domingo quebrou seu sono pela metade. Olhou pro lado e ele não estava na cama. Desde então não mais o viu, apenas ouvia sua voz todos os dias pela manhã lembro-a do remédio. Ela, sempre muito orgulhosa, nunca perguntou porque ele partiu o porque deixou a maioria de suas roupas pra trás. Queria aparentar-se forte diante da situação, claro que as brigas a afetava também, mas achou um abuso ele partir sem falar nada. A verdade é que achou ousado da parte dele porque ela, apesar de todas as brigas, nunca pensou em deixar tudo pra trás. E a única palavra que o definia pra ela era egoísta. Achava que ele era egoísta por desistir do amor dos dois.
De vez enquanto, acordava pelo meio da noite assustada com qualquer barulho na rua, achava que ele tinha voltado. Foram passando-se meses e nada dele ligar. Num sábado a tarde, decidiu quebrar o gelo, ligou pra ele. O celular estava desligado, achou estranho e continuou ligando repentina vezes, sem êxito desistiu. O que ela não sabia era que a ligação foi feita tarde demais e que o seu orgulho impediu que ela ouvisse a voz dele pela última vez. A verdade é que ele estava carinhoso porque sabia o que o destino estava reservando pra ele, não tinha muito tempo de vida. Não queria que ela parasse de apreciar a sua beleza quando ele ficasse feio e de cama. Saiu de casa, ela nunca o procurou. Agora ela entendia as palavras tão entediantes dele. Sabia que estava partindo. Enquanto a mente dela cogitava mil possibilidades o seu coração só batia no ritmo de uma palavra: continue. Haveria mais silêncio dali em diante.
Magalhães, Monique. “Sentimentos Induzidos e Perpétuos”.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
"O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraiso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói."
-Cazuza
-Cazuza
07-07-2010 . 20 anos sem Cazuza
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