quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Do fracasso, do fiasco, do encanto que não funcionou. Tudo passa.


Monique Magalhães

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Quimera

A rotina nunca a feriu tanto nos últimos dias. Lisa encontrava-se contemplando as estrelas da grande janela do seu quarto. Buscava uma mudança repentina. Será que depois que alcançamos tanto sossego, buscamos desordem? Ela não sabia ao certo explicar, chegou a pensar que estava louca por se cansar de tanta paz.
Do mesmo lado da cidade existia ele em demasiada cólera, calado e estático: aquele-que-deveria-sumir-da-sua-vida. Não pensava em esquecer e decidiu que ia fingir estar bem, já que Lisa não se esforçava pra isso. Se fosse necessária uma palavra para descrevê-lo, essa seria aflição. Não sabia o que fazer nem como agir, deitou-se na cama e pôs-se a sonhar. A única visão que tinha era os sapatos no chão do quarto. Encarando-os, lembrou-se do quanto ela gosta daquele par de sapatos e das vezes que o elogiava, lembrou das tardes que passaram juntos e das noites também.
Dessa vez ele não sumira, ela sabia onde o encontrar e mesmo assim não o procurava, nem mesmo para lembrá-lo dos remédios. Lisa tirou um tempo pra si, queria sossego. Fechar os olhos diante de um tanto de confusão. Como era bom a sensação de não ter mais com quem se preocupar.
A paz forjada. Sentia-se feliz com os amigos e com as obrigações que tinha e não precisava mais dele, pra nada. Ela tinha certeza disso, no entanto, ele não aceitava a ideia de que ela não o queria mais em sua vida e, mesmo afastando, se confortava achando que um dia ela o procuraria.
Lisa não sabia o que fazer, mesmo que quisesse não daria tempo de preparar um presente.  Mesmo assim ela decidiu que deveria mostrar que se lembrava do aniversário dele como um dia supremo. Comprou um laço grande e em uma caixinha pequena colocou o presente que, ela não sabia, era o que ele mais queria no mundo. Sem saber como ele bateria dentro de uma caixa e nem como falar com ele, ligou e disse: “Você me irrita e me deixa nervosa, mas descobri que de nada vale viver em paz sem dia de sol e dia de chuva, me encontre em uma hora em nosso lugar.” Por medo ou vergonha, ela não esperou a resposta do outro lado do telefone, desligou e começou a  se arrumar.
Durante o banho pensou em não ir,porque ele poderia estar com os amigos e esses sabia o quanto ele tinha sofrido por Lisa. Depois do primeiro motivo para não ir, surgiram outros. De onde tiraria coragem para falar tudo o que pensa? E o presente, que não era nem de perto o que ela gostaria de lhe dar. Mesmo assim, ao sair do banho decidiu que nada a impediria de fazer o que seu coração mandar. A caixa batia forte e esse fora o ensinamento mais importante que ela adquiriu no relacionamento: fazer o que o coração mandar.
Quando ela chegou, ele já se encontrava lá, sentado. Na certa esperando que ela o xingasse ou dissesse o quanto arrependera a um ano atrás de tudo que aconteceu. Ela não sabia ao certo o que dizer,mas quando se aproximou soube que mesmo cansada, o queria. Tirou o presente da mochila e sem uma palavra lhe entregou. Silêncio. As mesmas lágrimas de emoção que ela fez nascer nele um dia. Lisa o beijou.  As palavras saíram flutuando de sua boca:
“Olha, isso é bem pouco diante do que eu queria te dar, mas só ontem eu descobri que o amor não é suficiente, mas é o primeiro passo para tentarmos mais uma vez. Queria te dizer que..., é.. você tem meu coração de volta. Vamos devagar dessa vez. “
Alguma coisa nos olhos dele começou a arder. Descobriu que era o sol. Adormecera olhando pros sapatos.Seu aniversário já acabara. Levantou e foi procurar o celular, nenhuma chamada. Ela não havia ligado e nem mandando mensagem. O sonho parecia tão real, tinha até os pensamentos de Lisa. A idéia confortável que ela precisava dele, ainda que distante, sumiu. Em apenas dois segundos soube que ela realmente o tinha esquecido.
Aquele minuto foi o mais importante da sua vida, pois foi nele que descobriu que teria que parar de fingir estar bem e começar a ficar. 

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Sensações

A noite é o corpo
O calor do tempo
O suor do amor
Compartilhado por dentro

O som é o prazer
O toque é o sabor
De perto quero ser
De longe vejo a cor

Arrepios e sussurros
Enchem minh’alma do gosto
Olho atentamente sua face
Faço do seu corpo meu posto.

Deita próximo de mim
Minha paz quer te olhar
De perto somos gim
De longe não posso ficar


MnqM 

domingo, 11 de julho de 2010

Hipertônico

(...) Era preciso uma morte, para então ouvir sua voz. Mas se ela existir, não haverá som. Nenhuma cor. Nenhuma palavra. Só dois fins. Finalidade do desespero quando não é mais necessário misturado com um grande pacote de sonhos.

É pra mim?
-Você sabe que sim.
Mas gosto de ouvir você dizer que é pra mim.
Você me ama?
- Não era pra amar?
Claro que sim,mas quero ouvir agora se você me ama.
- Eu te amo,muito
Então não me deixa
- Eu não vou te deixar



E a história redigida como um conto começou a se tornar real quando não havia mais pra quem ligar. Toca telefone, falei alto. Costumava falar sozinha desde que você partiu. O que era tão importante que não poderia esperar mais um dia? Uma vida. Na hora não reconheci,mas se eu pudesse voltar ao tempo, cara, eu não posso. Já era.  
Peguei suas manias das quais eu odiava desde que você se foi,tornei-me eufórica e sentia a saudade sem tamanho que você dizia sentir,  será possível que todos os sentimentos que você sentia por mim foram transferidos com a mesma intensidade depois que você partiu?  Eu achava sentir a sua intensidade, a sua dor, a sua saudade o seu amor, porém só agora eu vejo que tudo era numa quantidade maior e essa  é a resposta pra todas as minhas perguntas quando eu perdia a paciência vendo você chorar demais por nada. Perdi a conta das vezes em que mandei você calar a boca, fria e grossa. E , especialmente hoje eu to sentindo o tamanho do amor que você dizia sentir mesmo diante a dor. Porque você não grita? Porque não me pede pra ficar?  Porque?  Eu vou sair se você não se manifestar,faça alguma coisa. 
Seria cômico se não fosse trágico. Eu sair? Pra onde? Talvez se eu corresse, mas pra que lado? Não há direção sem você.  Eu queria estar do seu lado todos os dias,mas se pudesse escolher, escolheria o dia onze do mês de julho. Eu te amo, fim.


Magalhães, Monique. “Sentimentos Induzidos e Perpétuos”.

sábado, 10 de julho de 2010

Sem êxito

De portas fechadas, havia um silêncio que a consumia completamente por dentro, deixando-a totalmente ilesa diante de todas as decisões que naquele momento a cercavam. Mas aquele silêncio não era maior e nem poderia ser comparado ao silêncio que a separava dele,esse sim dissimulava diretamente todas as suas determinações.
Às vezes ficava na sacada, esperando que talvez ele passasse e assim acenasse como quem diz um oi habitual. Nada acontecia. Por vezes em que o telefone tocara teve a esperança que fosse ele, pra pegar as roupas velhas em casa ou pra lembrá-la de tomar os remédios diários. Muitas vezes ele ligou apenas por preocupação ou obrigação. Mas a dois meses atrás, sábado, manhã quente, quando  ligou, ele aparentava mais frio e restringiu a ligação em apenas: tome os remédios. Nem se quer perguntou se ela estava bem, se estava feliz. Oito semanas depois e não mais ele retornaria a ligação.  Achava estranho, mas não resolveu procurar, ser um peso, afinal depois de terminados que obrigação tinha ele de ficar lembrando-a de tomar remédios, a doença era sua e ele nada tinha com isso.  Com o telefone na mão, resolveu ligar, mas uma esfinge a rodeada, que desculpa usaria? “Olha, venha buscar suas roupas” Isso poderia soar deturpado. Não, melhor não fazer nada. Silêncio.
Perdeu a conta das vezes em que sentava no sofá e ficava observando a televisão desligada, recordava do quanto ele era apegado na televisão e do quanto isso a incomodava todos os dias. Por alguns segundos ela queria que ele estivesse ali vendo televisão enquanto ela assistia a beleza dele. Brigas e discussões nunca tiveram fim entre os dois, todo dia palavras distorcidas criavam conflito entre eles. E isso, não era falta de amor, eles se amavam tanto mas tanto que não havia espaço pra guardar tanto amor depois que ele foi embora.
Brigavam por qualquer motivo, mas a culpa era sempre dele que expressava demais, ficava perto demais e não dava espaço pra ela fazer outras coisas que não o envolvesse. Nos últimos dias estava se tornando chato, falando repentinas vezes ao dia o quanto a amava, o quanto queria estar perto dela pra sempre. No inicio ela gostava, mas depois parecia que não mais ouvia o que ele dizia e só via a face dele mexendo repetindo as mesmas palavras. Na sua mente só passava uma coisa: “Já sei que você ama, da pra parar?”. Com o tempo ele foi percebendo o quanto estava deixando o relacionamento dos dois chato e cansativo. Um dia  ela acordou com o som do trem que passava a duas quadras de sua casa, era domingo e o engraçado era que aquele som nunca tinha lhe incomodado antes, mas especificamente naquele domingo quebrou seu sono pela metade. Olhou pro lado e ele não estava na cama. Desde então não mais o viu, apenas ouvia sua voz todos os dias pela manhã lembro-a do remédio. Ela, sempre muito orgulhosa, nunca perguntou porque ele partiu o porque deixou a maioria de suas roupas pra trás. Queria aparentar-se forte diante da situação, claro que as brigas a afetava também, mas achou um abuso ele partir sem falar nada. A verdade é que achou ousado da parte dele porque ela, apesar de todas as brigas, nunca pensou em deixar tudo pra trás. E a única palavra que o definia pra ela era egoísta.  Achava que ele era egoísta por desistir do amor dos dois.
De vez enquanto, acordava pelo meio da noite assustada com qualquer barulho na rua, achava que ele tinha voltado. Foram passando-se meses e nada dele ligar. Num sábado a tarde, decidiu quebrar o gelo, ligou pra ele. O celular estava desligado, achou estranho e continuou  ligando repentina vezes, sem êxito desistiu.  O que ela não sabia era que a ligação foi feita tarde demais e que o seu orgulho impediu que ela ouvisse a voz dele pela última vez. A verdade é que ele estava carinhoso porque sabia o que o destino estava reservando pra ele, não tinha muito tempo de vida. Não queria que ela parasse de apreciar a sua beleza quando ele ficasse feio e de cama. Saiu de casa, ela nunca o procurou. Agora ela entendia as palavras tão entediantes dele. Sabia que estava partindo. Enquanto a mente dela cogitava mil possibilidades o seu coração só batia no ritmo de uma palavra: continue. Haveria mais silêncio dali em diante.


Magalhães, Monique. “Sentimentos Induzidos e Perpétuos”.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

"O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraiso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói."


-Cazuza


07-07-2010 . 20 anos sem Cazuza

terça-feira, 29 de junho de 2010

Beleza

Eu sei que se beleza fosse definida por uma pessoa essa seria você. E o melhor de te conhecer é saber que tal característica ainda não é a sua melhor particularidade. Você tem muitos outros destaques que fazem de você uma pessoa mais íntegra do que bela. Eu queria te dizer que eu entendo todos os seus sentimentos e suas vontades, eu sei que é difícil alguém entender completamente uma pessoa, mas eu te entendo. Sei como é ser exagerado e excessivamente carinhoso em relacionamentos e todos os danos que isso traz a nossa vida quando algumas pessoas não valorizam a forma extensa que dedicamos a elas. Tem pessoas que fazem do amor uma coisa sucinta e essas são bem diferentes da gente.
Às vezes fico pensando como foi bom conhecer alguém que me ouvisse do inicio ao fim, alguém que eu pudesse compartilhar todas as minhas vontades mais obscuras( vou assustar as pessoas). É, eu não esperava nada de você. Juro que pensei que você fosse mais uma pessoa daquelas que passam pela vida da gente sem serem lembradas posteriormente, mas a sua singularidade me atingiu de uma forma tão absorvente que não consigo nem imaginar como era antes de te conhecer.
A melhor parte de não esperar nada das pessoas é que quando temos algum tipo de apoio delas é como se o mundo, até então destruído, voltasse pro lugar e girasse ao nosso favor. Foi assim que aconteceu, você apareceu na pior época da minha vida, quando tudo estava demolido e não havia esperança nenhuma e hoje posso dizer que você fez desse período o mais memorável de todos.
Você despertou em mim um estima que eu não acreditava mais existir e me mostrou que ainda existem pessoas que merecem ser valorizadas.
Fico imaginando como seria sem você do meu lado, não consigo passar um dia sem te ligar, mesmo que for pra ouvir seus termos pejorativos de me chamar e sim, eu quero acordar mais vezes com suas mensagens de madrugada, mesmo se for 3 horas, eu vou parar de ter medo só pra você perder a graça. Rs
Agora eu to lembrando de como você sempre consegue perder de mim em Scotland Yard e como Ona Creab influenciou em nossas vidas, sem ela jamais eu estaria escrevendo esse texto e dando a risada da sua prima que mora na roça.
Yakut, você me mostrou valores de vida diferentes dos que eu adquiri no decorrer dos meu amadurecimentos. Você me mostrou um mundo tão simples e me arrancou de uma complexidade que eu mesma criei. Fico feliz de saber que não nos aproximamos antes porque hoje eu sei que aconteceu tudo na hora certa. Espero que continuemos sempre próximos e que eu te ajude tanto quanto você me ajudou, sei que você às vezes acha estranho a forma com que eu esqueço as pessoas em minha volta, mas prometo que não vou me esquecer de você. Obrigada por todo o apoio, uma frase que sempre repito pra mim mesmo é que eu sei valorizar quem está ao meu lado.
Você já ouviu isso de muitas pessoas mas você tem o melhor abraço do mundo e eu precisava tanto de um agora.
Amo você, Meu. 

domingo, 27 de junho de 2010

Estradas

Tinha tudo pra ser um dia como os outros. Acordou, abriu a janela e com um breve olhar pra vizinhança suspirou. Monótono. As coisas no seu devido lugar já tinham uma marca no chão. Não mudava os móveis, as plantas e nem se quer mais reparava na beleza deles. Um dia ficou pensando em como objetos podiam inferir na vida das pessoas, sim, porque eles já não faziam diferença assim como quem participava da sua vida. Chegou um momento em que as pessoas e os objetos para ela atingiram um ponto onde não podiam mais ascender de nível e também não atenuaria. Triste. As coisas em nossas vidas devem sempre fazer um diferença, estabilidade é bom, mas até um certo ponto.

Havia conseguido tudo que um dia sonhou na sua infância, casa grande, cachorro, televisão no quarto. Mas havia perdido a sua personalidade e o seu desejo de buscar sempre mais. Antes, todos os dias vivia com o intuito de alcançar algo, mas quando tudo que um dia sonhara foi alcançado rendeu-se e entregou-se ao constante. Aceitou a idéia que antes tanto doía, as coisas só lhe faziam felizes por um momento. Como uma chuva de empolgação que a molhava por inteiro, mas que quando secava não fazia mais nenhum sentido. Cortou suas relações como quem pega uma toalha e enxuga o corpo sem nem se lembrar depois porque aquilo era algo polar.

Tinha tudo pra ser um dia como os outros. Acordou, abriu a janela e como o breve olhar na vizinhança suspirou, tinha visto de relance alguém pela rua. Estava com o aspecto diferente, a vida também tinha modificado tal pessoa.

Por um segundo o segundo em que olhou pra janela e avistou, veio na cabeça a jura de felicidade de quem estava la embaixo, havia lhe prometido a tanto tempo atrás e com soluços no telefone ouviu em troca que não havia mais amor vindo de um lado. Não era injustiça, ela apenas tinha pegado a toalha e claro, não era culpa dela querer ficar seca. Por outro meio tempo veio uma breve vontade de lhe acenar e pedir pra subir, talvez aquela vida monótona poderia ser quebrada apenas com uma conversa de como os anos se passaram, mas como a maioria das suas vontades ela arriscou não chamar e esperou que passasse , fechou a janela e agiu como se fosse um dia como os outros. Mas não foi. O dia foi levado pelo ditado se teria dado certo se no dia do telefone ela falasse que ainda gostasse um pouco e a pessoa quisesse lutar mais por ela. Passou o dia pensando se tinha feito algo errado e como seria se tivesse acompanhada por ela naquele momento. Não que ela tivesse sozinha sem ninguém a ponto de pensar somente em que avistou pela janela, mas todos os companheiros que tivera depois nunca desapertou nada dentro dela, chegou a pensar que tinha problemas e precisava de um psicólogo. Se as pessoas cansam, quem sabe no dia do telefone diante de tanta humilhação antes de passar pela janela alguém tinha decidido que era melhor cortar, cortar tudo. Doeu muito. Nos próximos dias dos meses tornaria tudo a ser igual o pensamento só ocupou sua cabeça por um dia.

Foi vivendo assim, um dia acordou arrumou as coisas e sem nenhum móvel saiu. Longe, foi embora e não mais voltou.

Magalhães, Monique. “Sentimentos Induzidos e Perpétuos”.

sábado, 26 de junho de 2010

O ritmo das nuvens

No momento em que eu escrevo quem fala por mim é o amor que sinto, que me rege desde que um dia você aproximou-se sem interesse algum. Aos poucos foi me domando e tomando conta de tudo dentro de mim. Perdi a conta de quantas vezes eu disse que eu te amo hoje e ontem e anteontem. Eu ouço um silêncio tão duro toda vez que eu digo essa frase que ainda não sei o motivo pelo qual ainda a repito todos os dias, um intuito foi abstratamente transformado em outro. De quantas coisas eu aprendi neste tempo, é só eu quem sei e nem mesmo se lhe repetisse alternadas vezes o quão bem você me faz apesar dos choros, das crises, você acreditaria em mim.

Eu sempre fui tão doce mas me transformei em um monstro desde que você me fez sentir uma coisa tão forte jamais sentida, eu nunca quis te machucar ou coisa parecida eu só queria ser eu mesma. Eu não falei nada com o escopo de machucar você e você também me fez bem. Não pense que eu não senti sua falta ou que o meu amor mudou somente porque eu não digo que te amo todos os dias ou porque eu não quero sempre estar ao seu lado. Estou ouvindo uma música e lembrando da quantidade de vezes em que você me perguntou se eu estava dentro do barco. Você me alertou por inúmeras quantidades que o barco tava furado, mesmo assim eu quis continuar. Ver você partindo margem a fora, sem ninguém me doeria muito mais do que tudo que suportei durante todo o tempo em que você sofria. Sabe, depois tudo fiquei lembrando automaticamente de você me ligando tantas vezes ao dia e agora que meu telefone não toca mais eu queria poder te xingar por me ligar tanto. Eu queria ouvir que você me ama, eu poderia dizer que eu te amo agora, sem nenhum silêncio ou ruído ruim. Sinto falta de você me irritando e entendendo tudo errado e de como de um jeito incrível você conseguia sorrir e se emocionar com a minha ordem de palavras que pra mim era tão sem importância.

Sinto um anjo próximo a mim nesse momento, me dizendo tudo de errado que eu fiz e não foi por mal. Dizem que o amor é guiado pela loucura, então me perdoe amor pelas milhares de vezes em que eu te irritei. O Sol que nasce pra você agora sai de mim e o céu branco eu posso proporcioná-lo, sei que você terá outros acompanhantes pro seu céu preferido e mesmo assim eu irei fazê-lo acontecer de onde eu estou. As nuvens fazem sentido e tampam os sentimentos de raiva que um dia já passaram por mim. Só consigo sentir amor. Que a brisa toque o seu rosto e te faça sempre lembrar em mim.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

"Porque foste em minh'alma como o amanhecer, foste o que tinha de ser." Elis Regina

domingo, 6 de junho de 2010

Sonho


Se um dia eu te alcançar o que mais vou querer? Chegarei então no meu ponto máximo?

Não, eu não sei como chegar até você, ou talvez eu saiba mas esteja com preguiça demais pra lutar mais uma vez. Ultima chance. Como decidir uma vida em 13 dias? Ou até menos, porque se sabe que não conseguirei cumprir todos os módulos. Sonho, se eu chegar até você permaneça comigo, continue causando esse medo de tanto conhecimento em mim, é um medo mas eu gosto. Fixe em mim, me faça sua escrava, prometo que farei de você a minha locomoção. Moverei-me por você. Não quero desistir mais uma vez e ficar um ano no caminho errado, eu sei que estou. Também sei que sou culpada, tentarei o máximo por você sonho.

Você é minha única meta. Sempre. MMMMMMMIEN.

"Você foi a minha vida, mas eu só sou um capítulo da sua"

terça-feira, 1 de junho de 2010

"Toda a falsa esperança e a dor se juntam em mim agora. Não saberia te explicar nem mim vezes a minha vontade de ficar só agora e da dor que aumenta quando eu te vejo. Não é por mal, muito menos saberia fazer parar. Eu queria que isso passasse e que eu pudesse fazer as coisas do seu jeito, mas não dá. Às vezes você me pede coisas que eu sinto vontade de fazer, por você, mas não dá. As coisas em mim já não seguem a mesma linha de raciocínio que você. Existia duas vidas unidas, agora existe a sua vida. Os seus desejos parecem ser a unica coisaa que realmente importa enquanto todas as minhas dores estão comigo, guardadas.todas minhas dores existenciais, ou sei lá o que você pensa que é.
Ainda não te disse o que achei sobre as nossas antigas coisas e estou com um baú de recordações em mim que não foi jogado ao mar, mas ele quer, ou ele tem. As minhas decepções com você não serão esquecidas, como eu fazia antes. Nada será como antes. E tenho certeza que a mesma coisa acontecerá com você. Você sabe o que me faz sofrer, e faz. Apenas por fazer, ou pra ver minha reação. Um dia você não verá reação e ao invés disso você verá pó. Existem tantas coisas engasgadas, tantos dias nublados, tantos abraços apertados que não cabe em mim. Não cabem em mim sentimentos. Meu corpo e minha mente estão superlotados. Não imagino nem como meu oxigênio consegue entrar, se eu estiver realmente respirando."

LCCM

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Avenida

Avenida está escura, não possibilidades do encontro de qualquer pessoa agora. Estou tão distante e tão perto ao mesmo tempo. Eu vejo carros, carros dos quais eu me recordo dos sonhos e cada um tem uma mensagem pra mim. Eu tentei fugir de um, o mais diferente de todos, eu andei pra trás e mesmo assim ele veio em minha direção. Estática, desperta, sem explicações. Sigo meu caminho frio e lento, só agora eu percebo o quanto eu andava depressa, um dos carros que eu encontrei, na verdade o primeiro, me disse: “Mais devagar”, era um senhor, cansado, parecia mais experiente de qualquer outro. Engoli o conselho. Todos sempre me alertaram do quanto eu era rápida em minhas ações, eu já havia percebido também que sempre estava com pressa. Esse é o primeiro dos meus conselhos, andar devagar.
Claro, quando a gente corre, chega mais rápido e quando chega mais rápido sobra tempo, consequentemente nulo. O tempo deve ser aproveitado por completo. E esse conselho, sobre o resto de tempo eu vivi sozinha. Só agora eu vejo o quanto eu corri pra chegar ao lugar nenhum.
Nas minhas ruas, passaram mais carros, alguns despercebidos, mas tenho certeza de que os mais importantes eu notei. Queria que todas as vezes em que eu não seguisse conselhos exatos eu me encontrasse com carros diferentes para me mostrar o caminho certo. Estou perdida, confesso queria sair andando sem rumo. Todas as minhas direções são invalidas e não convém mais te esperar.
Tenho pouco tempo, quem sabe eu pudesse expandir todos os segundos que ainda me restam. Mas já expandi demais, sairia prejudicada se eu fizesse mais uma vez.
È estranho me deparar com um trem no meio dos carros. O trem me tem uma função diferente dos carros, ele me traz as recordações, sem conselhos, uma retrospectiva dos meus 18 anos vividos, desde a primeira vez que me emocionei até quando eu não sabia me expressar. É como se o trem entrasse em mim não deixando que nenhum fato passe sem ser notado. Confesso que não queria que houvesse trem nenhum trocaria pelos carros, porque tudo que eu quero agora é esquecer de tudo, esquecer de quando eu achava que eu conhecia você de outras vidas e que vivi meus anos te procurando, engraçado que quando te encontro te perco, antes viver em busca de algo na esperança de que um dia ele será encontrado do que acordar todos os dias com a idéia de que não há mais o que buscar. Eu sempre admirei nas pessoas o motivo que faz elas se moverem amor, dinheiro, fama, sucesso, realização profissional, conhecimento e eu já disse amor?
Era legal deitar e ficar analisando as pessoas como se elas fossem um experimento e descobri o que cada um busca, eu sempre priorizei sentimentos na minha vida e se alguém em analisasse como eu analiso as pessoas me definiriam como um pacote de sentimentos intensos. Errada.
Outros carros me disseram conselhos sábios, dos quais eu me lembrarei pra sempre, mas dentre todos o primeiro e o ultimo foi o mais importante, lembro de mim soluçando, chorando, reclamando em voz alta de como a gente se entrega pras pessoas, de como as ajudamos e depois quando precisamos elas não estão lá. “A única coisa que permanece é a mudança.” Por isso eu não espero que as pessoas que eu ajudei façam o mesmo por mim, o sentimento que eu tenho por elas pode ser muito maior do que o que elas tenham por mim e quando você precisar quem você mais espera pode não estar ao seu lado, mas também há a possibilidade de você encontrar abrigo em outro ombro, quem sabe um até melhor, aquele que você menos espera pode ser o que mais vai te ajudar.
Sem lado, sem crime, sem direção. O pulso diz: sonhos.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Esse outro também.


Eu já te ensinei biologia, mas o maior aprendizado foi você quem me concedeu. Eu já quis sempre lavar seus olhos e foi ao seu lado que busquei os meus, já vi você cantando em uma apresentação e senti como você ficou envergonhado, eu sei seus medos, seus gostos e seus sonhos e você, claro sabe os meus mais do que eu mesmo.
Já perdi parcialmente a memória e acordei com alguém me esperando, já chorei de dor ao seu lado e você sempre segurou minha mão, já implorei por sua ajuda e por vezes você me ajudou sem eu pedir. “Apenas o que eu tenho a lhe dizer é que eu já te amo.”
No medo, você era minha coragem, na dor você era minha força, no esquecimento você foi minha lembrança e na morte, você foi minha vida. Tudo que eu queria agora era cobrir seus olhos com o brilho dos mesmos. Tautomeria. Escrevo a você agora, totalmente sem sentido e se esse for meu ultimo textos gostaria de lhe dizer que o dia mais importante não é 22, 01 ou 19. Lembro-me quando te perguntava todos os dias o que eu era pra você e você sem graça não sabia o que responder, sem saber que estava guardando consigo o momento certo pra me dizer.
- Queria te dizer uma coisa, eu já sei o que você é pra mim.
- O que?
- Você é meu dia de sol e meu dia de chuva, você é meu tudo.
O nosso amor sempre foi exposto, vazado, exagerado e todos os problemas que tivemos nunca foram por falta de afeto, talvez pelo excesso.
Desculpa pelas tantas vezes em que eu implorei pra você não desligar o telefone, mesmo sabendo que você queria ficar sozinho, não queria me tornar uma recordação ruim pra você, depois da quantidade de bem que você me fez. Eu queria te dizer mesmo você não querendo saber que eu nunca vou esquecer das nossas tardes, dos dias que ficavam curtos quando estávamos juntos. Não vou esquecer de quantas barreiras já passamos juntos, da distância que superamos, do amor que tínhamos. Se eu pudesse eu dormiria pra sempre pra não ter que acordar com a ideia de que não vou mais ouvir sua voz todo dia ou de que quando tiver precisando não vou ter você pra me acalmar. Tudo agora está escuro e eu não tenho mais seu brilho pra me iluminar, o que me resta? Amor. Não sei nem onde estocar, onde esconder, cada parte de mim clama por você e eu não sei o que fazer disso daqui pra frente. Saiba que eu não vou mais te incomodar com minhas ligações e meus problemas, sua vida será melhor daqui pra frente. Sei que fui um peso.

E talvez eu nunca mais seja capaz de redigir algo pra você e talvez você nunca mais ouça minha voz, mas corre em mim uma necessidade de te dizer coisas que você já deixou bem claro não querer ouvir. Quando lhe conheci achei que o amor era um conjunto de reações emocionais que nos deixava vulneráveis e com você eu soube que o que eu sentia antes e achava que era amor, não chega nem perto do que eu sinto agora, por você. E se eu pudesse redefinir o amor novamente diria: É uma questão de olhar, de freqüência e só. E eu sei que só você será capaz de decifrar essa minha definição.
“Eu poderia conversar com você horas e horas sem me cansar.”
Num dia a gente tem um amor, saúde e felicidade, num dia a gente tem força até ela acabar. Desculpe pelos maus momentos. Amor, comigo levarei só o que foi bom.
Dentro de tudo nós compartilhamos um momento que vai durar pra sempre, a prova de que fui diferente, entrega e um barril de amor, que quase não acredito que acabou. Aceitarei a dor. “Ta vendo esse olho aqui? Ele é seu.”

sábado, 1 de maio de 2010

"A falta de você, de você em mim. O meu telefone não toca mais e se fosse pra ele tocar, eu lembraria de todos os dias dezenove, vinte e dois e primeiro. A minha cabeça que já não pensa em nada, pensa em você. Seus eternos olhos meus, já não tão meus assim.
Queria te dizer que sempre depois da dúvida, a certeza me mostra o tamanho do amor e quantidade de pôr-do-sol que veremos será muito maior do que a quantidade de dias que você não estará ao meu lado. Te levaria flores todas as manhãs e, de uma maneira singular, te beijaria e te falaria que nesse dia que se inicia, vocês será minha. E faria isso por uma eternidade, só pra você se lembrar que não importa se alguma coisa ruim lhe acontecer, quando chegar em casa, estarei te esperando. Eu te faria em mim.Construiria sua vida em mim e todo meu corpo, que é só seu, implora por você agora."



LCCM