terça-feira, 31 de março de 2015

Dualismo das tardes

 L.H.
Não que eu fale nada a respeito dos ventos,
Mas minha alma não aspira mais a beleza das flores.
Sozinho para pensar, refletir e tentar seguir em frente
Sem perfumes, sem cheiro de amora, sem cinzas
Mas com vermelho-rubis que insistem em permanecer.

É assim os dias agora:
De um lado a saudade intensa,
E de outro o meu socorro refugiado detrás dos livros.
E... Claro: futuros brilhantes novamente.
Quanto tédio

domingo, 29 de março de 2015

Explicação

Quão estranho planejas
seguir nas correntezas dessas marés distantes;
andar nas matas que te assombram;
beber da água envenenada,
que é a vida.
transcorrer os dias abaixo do sol
que queima e faz cicatrizes,
de quem um dia viveu sobre a terra.
vamos, aqui não choverá nunca mais.

-mnq

quarta-feira, 25 de março de 2015


                  Escrevo pra você porque quando escrevo sai um pouco desse sentimento estranho que ainda vive aqui em mim. Dessa vontade absurda de te abraçar toda vez que te vejo, de chegar perto de você. E então olhar no fundo dos seus olhos, no mais profundo ser que é você e de conseguir olhar fixamente, enxergar todas as coisas que regem dentro de você e amar cada parte, cada defeito, cada pedaço que existe. E querer construir um mundo pra girar em torno de você e querer ser o melhor que posso ser pra ser o que você merece.

Ambivalência.


Venha.
Chega.
Ou
Some.
Mas não flutua,
Desaparece de mim, sentimento inútil;
Desaparece de vez.
Siga seu rumo.
Tem lugar pra você aqui, sentimento..
Mas você precisa se decidir.
Se você vai embora ou ficar.
Eu não posso suportar acordar com você.
Eu não aguento mais deixar você ficar se alimentando de mim.
Eu não consigo ver você indeciso assim.
Existindo em mim só por existir.
Se for pra você ficar, então que seja pra te expandir.
Pra exalar essa energia boa que você traz.
Apenas por existir.
Pare.
Você está flutuando agora.
Você quer expandir, você quer ficar.
Mas você não vê mais motivo pra ficar nessa matéria.
Que sou eu.
Essa matéria sem alma que vive.
Que lamenta.
Que sente a falta daquele que não quer voltar.
É.
Para de oscilar.
Sentimento, você precisa se decidir.
Universo,
Me dê motivos pra ficar.
Disse o Sr. Sentimento, dentro deste corpo.
É um grito, pra acontecer o que for melhor.
Pra energia que existe nos átomos.
No mais interno de todas as ciências.
No endocárdio.
No músculo mais profundo do coração.
Aquele que tem contato direto com o sangue.
Aquele que consegue enxergar cada gota de energia que vem de fora.
Viva em mim, sentimento.
Viva dessa forma interna, porque você achou sua metade.
Sujeito fixo, que faz cada neurotransmissor congelar por alguns instantes.
Prefiro você assim, grande em mim. Não quero que você vá embora. Não quero perder você assim, sentimento. Mas entendo sua ambivalência, de existir ainda que ela tenha ido embora. Você não vê mais motivos pra ficar. Tudo evoluiu. Nada será igual era antes. Porque não existe mais "nós". Eu entendo que você tenha que ir, mas às vezes eu me sinto tão segura de guardar um lugar pra você aqui. Cada célula sofre tanto quando você vai embora. Quando a histeria toma conta de você e você escolhe errado.
Olha só você.
Flutuando de novo.
Precisa tomar um rumo, sentimento.
Assim você não consegue.
Não há vida assim.
Se for pra ir embora, vá mas não fique boiando.
Levanta.
Não sofra mais.
Espere.
Fique aqui.
Existe uma realidade boa.
Há poucas pessoas que entendem tudo.
Ela é uma dessas:
Que a inteligência exala.
Que sabe tudo mais profundo.
Que sorri e encanta tudo.
Que entende tudo profundamente.
Querido sentimento,
Você precisa se decidir.
Some.
Ou
Chega.
Venha.

domingo, 22 de março de 2015

Aquele que amo é aquele que me limita

O livro da dor e do amor / J.-D. Nasio
p.60


A representação mais singular do meu amado, a que será superinvestida
imediatamente depois do seu desaparecimento, é a representação do
que eu não posso ter, mas também do que não quero ter: a satisfação
absoluta. O amado representa um limite, representa o meu limite.
Assim, não só o amado me dá a minha imagem, garante a consistência
da minha realidade e torna tolerável a minha insatisfação, mas também
representa o freio para o desmedido de uma satisfação absoluta que eu
não poderia suportar. Em resumo, o eleito — que qualificamos de
amado, mas que também pode ser odiado, temido ou desejado —
representa a minha barreira protetora contra um gozo que eu considero
perigoso, embora o saiba inacessível. Pela sua presença real, imaginária
e simbólica, ele é, no exterior, o que o recalcamento é no interior. Essa
barreira viva, que me evita os gozos extremos e me garante uma
insatisfação tolerável, não me impede por isso de sonhar com o gozo
absoluto. Pelo contrário, o meu eleito alimenta as minhas ilusões e me
incita a sonhar.
Assim, compreende-se por que se sofre quando o outro eleito
desaparece. Com ele, desaparecem as insatisfações cotidianas e toleráveis
dos meus desejos, e eu me torno então todo insatisfação ou, o
que dá no mesmo, todo satisfação. O que a morte do outro acarreta de
essencial é a morte de um limite. Assim, o trabalho do luto é a
reconstrução de um novo limite.
*

sábado, 21 de março de 2015

Aquele que sofre confunde a causa que desencadeia a sua dor e as
causas profundas. Confunde a perda do outro amado e os transtornos
pulsionais que essa perda acarreta. Acredita que a razão da sua dor
está no desaparecimento do amado, enquanto a verdadeira causa não
está fora, mas dentro do eu, nos seus alicerces, no reino do Isso.
*
Não há dor sem o eu, mas a dor não está no eu; está no Isso. Para que
haja dor, são necessários três gestos do eu: que ele ateste a irremediável
realidade da perda do amado, que perceba a maré pulsional que invade
o Isso — verdadeira fonte da dor — e que ele traduza essa endopercepção
em sentimento doloroso.
Muitas vezes, o paciente sofre sem saber por que está triste nem que
perda sofreu. Outras vezes, é habitado pela dor, sem mesmo saber que
sofre. É o caso do alcoólatra que ignora que uma profunda dor está na
origem da sua sede compulsiva. Bebe para embriagar seu eu e neutralizar
assim a sua capacidade de perceber as turbulências no Isso. As
turbulências pulsionais estão ali, mas o eu anestesiado pelo álcool não
chega a traduzi-las em emoção dolorosa. Como se o álcool tivesse
como efeito neutralizar a função do eu, tradutor da língua do Isso em
língua dos sentimentos conscientes.
*

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
pois consigo tal alma está ligada.

Mas esta linda e pura semidéia,
que, como um acidente em seu sujeito,
assim como a alma minha se conforma,

está no pensamento como idéia:
[e] o vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria simples busca a forma.


- Luís Vaz de Camões

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Inexplicável

Desde que te conheci, tenho reconhecido o quanto de mim resta em uma mala. Poderia ter sido jogada fora, mas estava guardada onde ninguém acharia. De pé a janela, observo o nublado e sinto aquele vazio sendo preenchido por algo nao totalmente conhecido: era você chegando. Separei um canto limpo para que você pudesse ocupar, mas ainda assim sentia que tudo ali estava empoeirado. Tons de cinza preenchiam o ambiente e eu sentia necessidade de mostrar a parte bonita que ainda existia empoeirada e empilhada. A mala continuava guardada. Três ou quatro andares, havia muito a ser mostrado. Nao sentia vontade de fazer mais nada além de mostrar o que ali existia. Apesar da ansiedade em viver aquilo, fica demasiadamente desapontada por tudo ser preenchido em cinza. 
O seu canto foi tornando-se pequeno logo após a sua chegada, você foi ocupando cada vez mais espaço e colocando cor onde havia cinza. Agora sim havia mais de mim pra te mostrar, havia cores e luz, claridade. Pensei que estivesse, talvez, te mostrando a parte boa que ali existia, mas na verdade era você, colocado a melhor parte de voce em mim. 
Abri a mala, nao havia mais um grão de poeira. Nem parecia que estava tanto tempo guardada.
Sem lado, sem crime, sem direção; o pulso diz: permaneça pois eu sentiria sua falta ate mesmo se você nao existisse.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Estrela

Tão mesquinha. Tão profunda.
És. Distante de tudo, por escolha: não. Uma sim. Monstro.
Horrivelmente afasta tudo que te faz bem. Existe por existir, em frente por um pulso.
Fria. Intensa. És uma flor delicada que cresce e apodrece tudo ao redor, que precisa destruir qualquer sinal de vida.
Sente-se ameaçada pela nuvens mas não quer se tornar escura.
Tão rude, tão exagerada. É sua culpa ser tão repugnante.
São as suas escolhas. Complexa. Autodestrutiva.
Quer se destruir, quer se quebrar. Apenas partir, frágil.
Um dia você consegue.

WK3

sábado, 12 de julho de 2014

39400XXX

Completa.
É assim que me sinto perto de vocês. Sinto que nada mais importa, que minha vida tem significado e que tudo que já passei e todo o amadurecimento tem sentido..

sexta-feira, 20 de junho de 2014

36420000

Frio, escuro. Não era assim que eu precisava começar.
Digo como quem escrevia intensamente sobre os sentimentos e como quem alimentava-se de sonhos.
Meu oxigênio ainda continua sendo o mesmo, porém as mudanças tem me consumido e enxergo-me diferente da pessoa que escrevia. 
Fiz escolhas erradas, experimentei sentimentos diferentes, aprendi, cresci, caí.. Sofri tanto. Levo comigo tantas cicatrizes e uma visão: dói cada vez menos.
Perder pessoas me deixava fraca, fria, impotente. Não agora, perder me faz ser forte, me faz querer continuar, seguir em frente. Sorrir.
Sobre os lugares que vivi, de cada um tiro uma lembrança, de cada momento uma fraqueza e de cada instante um novo sonho. 
Ainda existe um pouco de mim dentro de mim. 

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

XIX

Foi instantâneo:
No minuto em que olhei pra você senti que havia algo
Ali, entre o meu olhar e o seu;
Havia algo a ser desvendado, aceitado.
Contrariando-me, hesitei em lhe ceder o meu primeiro sorriso, ignorei.
No seguinte segundo, não consegui dominar
Com um livro na mão e já com um coração aceso (...)

Continua.
Duas árvores, três passos, uma palavra e meio sorriso: - oi, eu acho que te conheço.
Foi assim que começamos, lembro do quanto eu ficava admirada com o seu jeito de sorrir olhando pra baixo. Naquele minuto eu não imaginava que um dia você me conheceria tanto. É só o começo,

Panda.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011



 

 "Como é estranha a natureza morta dos que não tem dorComo é estéril a certeza de quem vive sem amor" Cazuza

sábado, 29 de outubro de 2011

PRimordial



eu aqui, com as flores da Primavera.
nesse calor amendoado
compreendo a atmosfera
permito o exagerado


não hesite em interpretar
o que dentro, pode-se sentir
não é necessário entender
se, agora, há um coexistir


muito é o que evoluiu
os quatro períodos, agora genuíno
o que o sentimento construiu
ao seu lado imagino


eu aqui, nessas folhas outono
na umidade de um escuro
compreendo o carbono
observando eu apuro


é que essas folhas tão caídas
já me trouxeram lembranças tristes
mas não são comparadas a despedida.
porque ao seu lado não a viste.


eu aqui, nesse frio do inverno
procuro não me distrair
feito do calor moderno
quando assim sobressair


abraços não me cansam
confiança é estável
as palavras assim dançam
meu lado afável


eu aqui, nesse verão
que simultaneamente odiamos
ainda no frio da compaixão
maldades compartilhamos


somos veneno imperceptível
ninguém conhece tanto
quanto nós; o absorvível
presente se faz o santo.


ainda assim, os Princípios
de uma vida não destroem
de todos os municípios
os sentimentos se constroem


de tudo o que sinto
preciso ressaltar o essencial
entenda, pois não minto:
você, pra mim, é Primordial.



MnqM

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

P,

A força das suas atitudes, imensurável; penetrável, não refletem na fraqueza - ausência, displiscência, da integridade do que você é.
Pra mim.
Assemelha-se com a força da minha dedicação -consideração - por você.
Em cada sorriso, quando falta, nunca; o que falar, gostaria de preencher sempre com a mesma frase:
Eu te amo.


ps. é a lápis, mas não apaga nunca o que eu sinto pro você.


21/10/2011 - Panda.

domingo, 16 de outubro de 2011

Você me faz sentir a pessoa mais feliz do mundo.
Eu te amo, do jeito mesquinho que você é.
<3


ácido oleico.